Chumbo nos batons: o que é mito e o que é verdade

Chumbo nos batons: o que é mito e o que é verdade
 
Escrito Por: Nyle Ferrari
 
 

Certamente vocês já ouviram falar da presença de chumbo nos batons: desde o início dos anos 2000, vira a mexe correntes são espalhadas por email alertando as consumidoras, e agora essa história se repete no Facebook através da facilidade que as pessoas têm de clicar em “compartilhar” sem checar a veracidade das informações.
Primeiramente, creio que é do conhecimento da maioria que o chumbo é um metal pesado que possui efeito acumulativo (ele não é degradado pelo corpo, apenas vai se acumulando) e causa danos arrasadores ao organismo: dependendo da concentração, pode ocasionar anemia, distúrbios renais, neurológicos, ósseos, dentre outros.
Ao contrário do que se diz, não há provas concretas de que o chumbo cause câncer ou cancro; no entanto, de acordo com a IARC (International Agency for Research on Cancer), o chumbo inorgânico e os compostos de chumbo foram classificados como possivelmente carcinogênicos para humanos (fonte).
Muitas das informações que são veiculadas na internet são mitos, por exemplo: o teste da aliança de ouro em cima de um risco de batom, a afirmação de que o chumbo causa cancro, que o mesmo é responsável pela fixação no produto (e que, quanto mais ele fixa, mais chumbo tem), dentre outros absurdos. Porém, no meio disso tudo há uma infeliz verdade: as grande marcas de batom têm, sim, resquícios de chumbo em sua composição, e essa realidade é preocupante.
A FDA (uma espécie “Anvisa” norte-americana) testou centenas de batons, e encontrou níveis alarmantes de chumbo em marcas como Avon, Maybelline e L’ Oréal. Revlon, M.A.C e Cover Girl também trouxeram resultados nada satisfatórios. Mary Kay, Lancôme, Clinique, Bobbi Brown, NARS (dentre outras) também apareceram com resquícios de chumbo em suas composições. Até marcas com a Burt’s Bees e Gabriel Cosmetics - que são “naturebas” – não se safaram.
Além de ser extremamente útil para alertar as consumidoras, o estudo é interessante porque mostra que batons caros não são, necessariamente, os menos nocivos. A Campanha por Cosméticos Seguros (Campaign for Safe Cosmetics) também realizou testes para detectar chumbo na composição de inúmeros batons e pode encontrar resquícios do metal pesado até em batons da Dior.
Abaixo separei um fragmento do relatório “A Poison Kiss: The Problem of Lead in Lipstick” (em PDF) da Campanha por Cosméticos Seguros mostrando produtos com níveis indetectáveis de chumbo, produtos com níveis detectáveis de chumbo porém abaixo do permitido pela FDA e produtos com níveis detectáveis de chumbo acima do permitido pela FDA em alimentos.
Continuação
A FDA alega que, do ponto de vista científico, não é válido comparar o risco que a presença de chumbo nos alimentos representa para o consumidor ao risco associado a níveis de chumbo nos batons (pois batons são de uso tópico). Já a Campanha por Cosméticos Seguros ressalta que, de acordo com a revista Glamour de Junho de 2002, as mulheres podem ingerir cerca de 1,8 quilos de batom durante a vida (ao passar a língua nos lábios, comer e beber usando batom, etc), o que põe em xeque o argumento da FDA. Além disso, a Campanha não descarta o fato de crianças poderem, acidentalmente, ingerir o produto (o que não é raro).
O mais triste da história é que mesmo com toda a polêmica, quase nada foi feito e os produtos continuam no mercado. Além disso, ainda não se estabeleceu um “limite seguro” para a quantidade de chumbo em cosméticos – algo inconcebível, na minha opinião: uma vez que o metal tem efeito acumulativo e é totalmente dispensável para o organismo, não há como estabelecer “limites seguros”.
Bom, mas não é porque nada está sendo feito que temos que continuar usando produtos contaminados. A atitude mais prudente é evitar as marcas citadas no relatório e optar por batons de empresas que tenham compromisso com o consumidor, que se preocupem em levar cosméticos menos nocivos ao mercado.
 
 
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